Em abril de 1971, Beauvoir assina o Manifesto das 343, admitindo, juntamente com outras mulheres, ter feito um aborto ilegal. Na verdade, muitas delas, incluindo Simone, nunca o haviam feito. As signatárias exigem o direito à contracepção gratuita e ao aborto legal seguro. Apesar do escândalo e críticas, o movimento obtém sucesso: em 1975 o aborto será legalizado na França.
Sartre começa a ter uma série de pequenas crises que vão se tornar cada vez mais intensas com o passar dos anos.
Entre fevereiro e março de 1972, Beauvoir toma parte num retrato cinematográfico de Sartre, Sartre par Lui-Même. Muitas das cenas são filmadas no apartamento dela.
Em setembro, Balanço Final, dedicado a Sylvie Le Bon, é lançado. Pela primeira vez Beauvoir não tem nenhum projeto em mente. O movimento feminista a mantém ocupada, distração que vê como uma dádiva. Torna-se presidente do Choisir, grupo que informa as mulheres seus direitos, defende a contracepção gratuita e a legalização do aborto, bem como fornece defesa legal de graça para as mulheres. Simone escreve prefácios, concede entrevistas e reúne-se com feministas de todo o mundo. Sua principal atividade literária consiste na redação de seu diário, no qual relata obsessivamente a deterioração de Sartre.

Em 1973, Les Temps Modernes, dirigida por Beauvoir, começa a publicar uma seção em que os leitores depõem sobre sexualidade.
Sartre tem um novo derrame, e começa a ficar cego.

 
Em seu apartamento, em 1972

Em agosto e setembro de 1974, em Roma, Simone grava algumas entrevistas com Sartre, conversas que, acreditam, poderá ser uma espécie de continuação de As Palavras. Na verdade, de certo modo, trata-se de uma tentativa de Beauvoir em reinstalar o "legítimo" Sartre, que vinha sendo "demolido", por causa da relação entre ele e Benny Lévy (também conhecido por Pierre Victor), um jovem maoísta muito inteligente, mas também bastante inescrupuloso. Estas entrevistas só serão publicadas em 1981, como um adicional de A Cerimônia do Adeus.
Cada vez mais ligada ao feminismo, Simone funda, juntamente com outras feministas, a Liga dos Direitos da Mulher, da qual se torna presidente. Prepara um número especial da Les Temps Modernes, para a qual redige um artigo abordando o problema da linguagem, texto que divide as feministas. Algumas acreditam que a linguagem criada pelo homem representa uma de suas formas de opressão, e reivindicam uma literatura que reflita a especificidade feminina. Beauvoir observa na linguagem uma forma de comunicação, um instrumento universal, e assinala o perigo de um gueto feminino da linguagem.
Em janeiro de 1975, Simone recebe o Prêmio Jerusalém, concedido aos escritores que promoveram as liberdades individuais. Sartre, ao completar 70 anos, já está completamente cego, o que faz com que Beauvoir redobre seus cuidados em relação a ele.
Em 1977, com a saúde cada vez mais debilitada, Sartre é motivo de grande preocupação para Simone, que, junto com outras amigas e amantes dele, se revezam a fim de impedi-lo de continuar bebendo.

 
Simone em 1974, na festa do MLF
Beauvoir em 1977, no apartamento de Sartre
Em 1978, pelo desejo da verdade, Simone permite que Josée Dayan e Malka Ribowska lhe façam um filme autobiográfico. Beauvoir crê que entre seus leitores, muitos se enganam por sua própria conta. Com o documentário, Simone terá oportunidade de atingir pessoas que, sem a terem lido, fazem dela uma imagem totalmente falsa.
Em 1979, é publicada a primeira coletânea de contos escrita (entre 1935 e 1937) por Beauvoir, Quando o Espiritual Domina.
Senil e cada vez mais manipulado por Lévy, Sartre assina artigos que Simone considera uma dupla traição: a ele mesmo e a ela. A relação entre ambos torna-se tensa, e Simone sofre terrivelmente com a decrepitude de Sartre, dominado por Arlette e Benny.
Em meados de março de 1980, Sartre é internado no hospital.
Jean-Paul Sartre morre no dia 15 de abril. Beauvoir cai numa profunda depressão, e desenvolve uma nova pneumonia, da qual jamais se recuperará totalmente.
Simone adota legalmente Sylvie Le Bon como sua única herdeira e executora literária. Começa a escrever A Cerimônia do Adeus.
 
Em 1980, no funeral de Sartre
Em 1981, A Cerimônia do Adeus é lançado. Baseado nos diários de Beauvoir, o livro retrata seu prolongado adeus ao homem a quem ela havia amado. Com sua habitual preocupação de contar a verdade, por mais brutal que fosse, e sem sentimentalismo algum, Simone narra a deterioração física e mental de Sartre. O público fica dividido: alguns consideram o livro de mau gosto, outros o acham comovente.
Morte de Nelson Algren, em 1981.
Em 1983, é publicado Lettres au Castor et Quelques Autres, edição feita por Simone de uma série de cartas de Sartre para ela e outros.
Ainda em 1983, o governo dinamarquês concede a Beauvoir o Prêmio Sonning, pelo conjunto de sua obra. Simone aproveita o montante do prêmio para ir incógnita aos Estados Unidos, por seis semanas, em companhia de Sylvie, onde acaba visitando a fazenda da feminista americana Kate Millett.
Em 1984, acontece em paris a première do filme de Claude Chabrol, Le Sang des Autres (O Sangue dos Outros), extraído do segundo romance de Simone, que não se interessa em assisti-lo.
 
No recebimento do Prêmio Sonning, em 1983
Depois da morte de Sartre, a saúde física e mental de Simone havia começado a se deteriorar, sobretudo por causa de sua dependência do álcool e de anfetaminas.
Beauvoir dá entrada no hospital Cochin, em março de 1986, com dores de estômago supostamente devidas a uma apendicite. Um edema pulmonar é diagnosticado. A cirurgia revela que seu fígado estava debilitado. Depois da operação, Simone contrai pneumonia e permanece num serviço de reanimação. Beauvoir precisa voltar à reanimação, onde seu estado se agrava subitamente. Ela morre na tarde de 14 de abril de 1986, aos 78 anos. Curiosamente, as causas de sua morte são praticamente as mesmas da de Sartre, falecido 6 anos antes, em 15 de abril de 1980.
Em 19 de abril Simone é sepultada no cemitério de Montparnasse, após uma cerimônia que reuniu cinco mil pessoas — que seguiram a pé o cortejo fúnebre até o túmulo de Sartre. Conforme havia desejado, ela é enterrada com o anel (de “noivado”) de Algren em seu dedo. O caixão desce à tumba que Simone partilhará com Sartre. Lanzmann lê um texto de Beauvoir. Um rumor de frustração se eleva da multidão, na maioria composta por feministas, muitas vindas do exterior, um rumor feito de cólera porque é um homem que lê suas últimas palavras, e de frustração porque a maior parte delas havia ficado do lado de fora do cemitério. Ordens haviam sido dadas para que se fechassem os portões cedo demais (talvez em razão dos esbarrões dos fotógrafos de jornal, que haviam quebrado túmulos e empurrado Beauvoir numa cova por ocasião do sepultamento de Sartre).
Jacques Chirac, então prefeito de Paris, lê um curto texto dizendo que a morte de Beauvoir assinalava o fim de uma época em que a literatura engajada havia marcado a sociedade.
A despeito destas palavras, é evidente que ainda hoje, no século XXI, Simone de Beauvoir continua a inspirar inúmeras pessoas. Basta visitar o cemitério de Montparnasse para se convencer disso: seu túmulo está sempre ornamentado com flores frescas e bilhetes de agradecimento que chegam todo dia dos quatro cantos do mundo.
 
Simone de Beauvoir em seu apartamento, em março de 1986
Lápide do túmulo de Beauvoir e Sartre no cemitério de Montparnasse