Em maio de 1961, morre Merleau-Ponty. Apesar das desavenças entre ele e o casal Sartre-Beauvoir, nos últimos tempos as relações entre Simone e Merleau-Ponty tinham voltado a ser amigáveis.
Por causa de atividades contra a política colonial na Argélia, a vida de Sartre é ameaçada e seu apartamento sofre um pequeno atentado à bomba, em julho. Ele e Beauvoir se mudam várias vezes sob nomes falsos a fim de evitar novos ataques.
Simone e Sartre participam da criação de uma Liga para a União Antifascista, que organiza em novembro uma manifestação pela paz na Argélia.
Em janeiro de 1962 o apartamento de Sartre é destruído por uma bomba plástica. A explosão volatiliza diversas cartas de Beauvoir.
A vida de Simone é ameaçada no dia em que aparece seu livro sobre Djamila Boupacha, escrito em parceria com Gisèle Halimi. O duplo testemunho torna mundialmente público o caso de uma argelina que, acusada de atentado, foi seqüestrada, torturada e violentada com uma garrafa quebrada por militares franceses. Estudantes voluntários montam guarda em frente ao apartamento de Beauvoir e nada acontece.
A paz na Argélia é declarada em março de 1962.
Em julho, Sartre e Simone viajam para Moscou, a convite da União de Escritores Soviéticos. Lena Zonina, crítica literária e tradutora, lhes serve de guia e intérprete. Sartre se envolve com ela.
Em dezembro, Beauvoir e Sartre retornam a Moscou a fim de passar o Natal com Zonina.

 
Sartre e Simone, em 1962, no La Coupole

No verão de 1963, Simone e Sartre passam seis semanas na União Soviética, viajando, com Zonina, pela Criméia, Geórgia e Armênia.
A Força das Coisas, o 3º volume da autobiografia de Beauvoir é publicado em outubro.
Em novembro, morre Françoise de Beauvoir, mãe de Simone. Ela começa a escrever Uma Morte Muito Suave, pois acredita que narrar sua experiência a ajudará a lidar com o luto. Começa a estreitar sua amizade com uma estudante de filosofia, Sylvie Le Bon, que havia conhecido ligeiramente em 1960.
Em 1964, Beauvoir escreve o prefácio do livro de Violette Leduc, A Bastarda, que terá enorme sucesso de crítica e público.
Uma Morte Muito Suave, considerado o mais íntimo dos livros de Simone (abordando a morte de sua mãe), é lançado no outono.
Em outubro, o Prêmio Nobel de Literatura é concedido a Sartre, mas ele o recusa, por achar que um escritor não devia se deixar transformar em instituição.
Ruptura definitiva com Algren, em novembro de 1964, em virtude da publicação de alguns trechos de A Força das Coisas, pela revista americana Harper's. Furioso com sua exposição, Nelson publica artigos ofensivos sobre Simone.
Em 18 de março de 1965, Sartre adota Arlette Elkaïm, uma franco-argelina de 28 anos que ele havia conhecido em 1956. Simone e Le Bon são as testemunhas oficiais da cerimônia que torna Arlette a única herdeira e administradora do legado literário de Sartre.
Em julho, mais uma vez, Beauvoir visita a União Soviética com Sartre. Uma delegação de escritores escoltou-os em todos os lugares. O que o casal havia planejado como uma viagem turística torna-se uma tournée oficial.
Em outubro, Simone sofre um acidente de carro quando voltava da Itália para a França. Com 4 costelas quebradas, passa três semanas de cama, recebendo cuidados de Sartre, Lanzmann e Sylvie.
Começa a escrever um novo romance, As Belas Imagens.

 
Beauvoir em 1963, na Rússia
Lena Zonina, Sartre e Simone na Lituânia, em 1965
Em maio 1966, Sartre e Beauvoir voltam a Moscou. Em setembro os dois vão juntos ao Japão, a convite do editor de Simone e da Universidade de Kyo. O Segundo Sexo havia se mantido na lista de best-sellers durante um ano. O casal tem uma recepção calorosa.
Em novembro, As Belas Imagens é lançado. Dedicado a Lanzmann, o livro vende cinqüenta mil exemplares na 1ª semana, ficando três meses na lista dos mais vendidos.
Em fevereiro de 1967, o porta-voz de Nasser e diretor do jornal El Ahram, convida Sartre e Beauvoir para irem ao Egito. Lanzmann os acompanha, pois Les Temps Modernes preparava um dossiê sobre o conflito árabe-israelense. Recebidos como autoridades, os dois escritores são tratados como testemunhas de alta qualidade que o Egito queria ganhar para sua causa. O regime de Nasser proclamava a igualdade dos sexos, mas a religião muçulmana se opunha a isso. No Cairo, Simone acusa os egípcios de se comportarem, no tocante às mulheres, como "feudais, colonialistas e racistas".
Deixando o Egito, o casal vai a Israel, onde são recebidos por uma delegação de intelectuais, com muita simplicidade. Beauvoir fica decepcionada com o papel das mulheres na sociedade israelense, mas elas afirmam terem obtido lugar suficientemente importante.
Ao mesmo tempo em que percorre o Oriente Médio, Simone acaba de escrever três narrativas que seriam publicadas sob o título de A Mulher Desiludida.
Em maio, em Estocolmo, Sartre e Simone participam do Tribunal Bertrand Russell, encarregado de julgar os crimes de guerra no Vietnam. Beauvoir vive um período de intenso engajamento no qual se sente "totalmente mobilizada", trabalho que lhe agrada.
Em junho, Simone começa a escrever um livro sobre a velhice.
Beauvoir se recusa a assistir ao Congresso da União dos Escritores Soviéticos, em sinal de desaprovação à condenação de dois escritores deportados para a Sibéria. A entrada dos tanques soviéticos na Tchecoslováquia, no ano seguinte, marcará, junto com Sartre, sua ruptura definitiva com a URSS, o fim de uma grande ilusão. O casal nunca mais voltará a Moscou.
 
Sartre e Beauvoir em 1966
Simone e Nasser, em 1967

Em janeiro de 1968, A Mulher Desiludida é lançado em edição de luxo. A tiragem de cinqüenta mil exemplares se esgota em 8 dias. Apesar do sucesso de vendas, a crítica é impiedosa, chegando a dizer que Gallimard só continuava a publicá-la por piedade. Simone replica que não havia condenado o casamento em seu livro, mas apenas a esposa. "É preciso que as mulheres trabalhem", afirma.
Durante os acontecimentos de maio de 68, após os primeiros embates sérios entre os manifestantes e a polícia, Beauvoir e Sartre publicam uma declaração no Le Monde apoiando os estudantes.
Em janeiro de 1970 A Velhice é publicado. Este ensaio, que exigiu imensa pesquisa, tem repercussão enorme e imediata, sobretudo no exterior. A imprensa, tanto de direita quanto de esquerda, reconhece que o problema dos idosos na sociedade não estava resolvido. Com seu novo livro, Simone abre outra brecha nas leis, usos e hábitos das sociedades ocidentais em favor de uma nova defesa da liberdade: "É preciso que todos os homens permaneçam seres humanos durante todo o tempo em que estiverem vivos."
Em virtude da prisão dos editores de um jornal maoísta francês, La Cause du Peuple, acusados de provocar crimes contra a segurança nacional, Sartre acaba aceitando temporariamente a direção do periódico, em abril de 1970. Simone cria, juntamente com Michel Leiris uma associação, Les