Em setembro de 1951, Beauvoir vai mais uma vez aos Estados Unidos. Ela e Algren haviam decidido estar juntos em outras bases. Passam um mês tranqüilo no chalé do lago Michigan, mas o que há entre eles agora é apenas amizade.
Em novembro, Simone compra um carro. Aos 44 anos ela acredita que não amará mais ninguém, e nem será mais amada.
Em março de 1952, um tumor benigno é extraído de um dos seios de Beauvoir.
Conhece Claude Lanzmann, de 27 anos, um dos novos articulistas da Les Temps Modernes, simpatizando de imediato com ele. Não demora muito para que os dois iniciem um relacionamento, e Lanzmann passe a morar no apartamento de Simone.
Sartre rompe com Camus, e se aproxima dos comunistas. Beauvoir dá apoio a Sartre, e os dois nunca mais voltam a falar com Camus.
Em 1953 O Segundo Sexo é traduzido para o inglês, vendendo dois milhões de exemplares. O livro não tardaria a ser traduzido para mais de 20 idiomas, tornando-se um verdadeiro best-seller.
No outono, Beauvoir termina de escrever Os Mandarins.

 
Beauvoir e Claude Lanzmann, em 1952
Os Mandarins é lançado em outubro, vendendo em apenas um mês quarenta mil exemplares. O livro, dedicado a Nelson Algren, obtém críticas elogiosas e é bem acolhido tanto pela imprensa da direita, como pelos comunistas. Nesta época a literatura era julgada muito mais pelo seu conteúdo político e social do que por seu valor estético. A editora Gallimard, responsável pela edição, assegura que o livro tinha grande chance de conquistar o Prêmio Goncourt, o que realmente acaba acontecendo no dia 6 de dezembro. Beauvoir não vai ao almoço do Goncourt agradecer aos juízes, nem vai ao coquetel da Gallimard deixar-se fotografar pela imprensa. Em vez disso, vai discretamente com Lanzmann almoçar na casa de uma amiga para comemorar a ocasião com Sartre, Olga e Bost.
 
Noite de autógrafos de Os Mandarins, em 1954
Com o dinheiro do Goncourt, Beauvoir compra um apartamento num prédio dos anos 20, na rue Schoelcher, que contornava o cemitério, no coração de Montparnasse. Ela se muda para lá, com Lanzmann, em meados de agosto.
No início de setembro, viaja com Sartre para a China, a convite do governo chinês. Passam um mês em Pequim, e outro viajando pelo restante do país. Eles nunca haviam se defrontado com uma cultura estrangeira tão diferente. Na viagem de volta passam uma semana em Moscou dando palestras e entrevistas.
Simone decide escrever um livro sobre a China, o que exigirá muita pesquisa. Ela vê este trabalho como uma chance de aprender mais sobre o país, e também questionar os preconceitos anticomunistas de seus leitores ocidentais.
Lançamento de Privilèges, uma coletânea contendo três pequenos ensaios: Deve-se Queimar Sade?, O Pensamento de Direita Hoje e Merleau-Ponty e o Pseudo-Sartrismo.
 
Sartre e Simone na China, em 1955
Como um livro de viagens fica logo datado, Beauvoir trabalha assiduamente em seu ensaio sobre a China (A Longa Marcha), chegando a escrever durante dez horas por dia.
Os Mandarins é publicado nos Estados Unidos em maio de 1956. Algren não gosta de ser ver tão exposto através de Lewis Brogan e esbraveja com os jornalistas, arrependendo-se depois. Explica-se com Simone por carta e a amizade entre os dois sobrevive.
No inverno de 1956, Beauvoir começa o projeto que havia tido há dez anos: escrever suas memórias de infância. Nesta época ela é a escritora mais famosa do mundo, e consegue ver sua vida como uma dramática história de sucesso. Em apenas oito meses ela escreve Memórias de uma Moça Bem-Comportada.
Simone torna-se parte ativa no movimento pela libertação da Argélia, posição que lhe vale observações ultrajantes em lugares públicos. Beauvoir se isola em seu apartamento por algum tempo.
Em 1957, A Longa Marcha é lançado, obtendo resenhas elogiosas.
 
Manuscrito de Memórias de uma Moça Bem-Comportada - clique para ampliar
A saúde de Sartre começa a deteriorar-se. Obstinado, ele trabalha excessivamente, sustentado por grande quantidade de remédios, a esse ritmo frenético soma-se o abuso do álcool. Preocupada, não suportando vê-lo se destruir, Simone começa a assumir o papel de enfermeira e guardiã, esforçando-se para que ele limitasse o uso de intoxicantes, em vão.
Em março de 1958, Simone entrega à Gallimard o manuscrito de Memórias de uma Moça Bem-Comportada.
Participa de uma manifestação contra De Gaulle em setembro e aos encontros pelo "não" ao referendo, mas o "sim" vence e De Gaulle se torna primeiro-ministro, para total desespero de Beauvoir.
Simone e Lanzmann se separam, mas conservam a amizade.
Em outubro, Memórias de uma Moça Bem-Comportada é lançado, obtendo grande sucesso de crítica e tornando-se best-seller.
Em 1959, Beauvoir continua sua militância em favor da guerra de libertação da Argélia.
 
Simone aos 50 anos, em 1959
A morte de Camus, aos 46 anos, em janeiro, abala Simone, mesmo eles já não sendo amigos.
Em fevereiro, Beauvoir e Sartre viajam para Cuba a convite de Carlos Franqui, diretor de um jornal, a fim de observarem uma jovem revolução em marcha. Em Havana, encontram-se com Che Guevara e Fidel Castro, que lhes serve de guia no tempo em que ficam no país.
Algren, que estava em Paris nesta ocasião, fica no apartamento de Simone. Quando ela volta de Cuba os dois viajam para a Turquia, Grécia e Creta.
No fim de maio, Beauvoir, a pedido de Gisèle Halimi, intervém numa campanha em favor de Djamila Boupacha, uma militante muçulmana, atrozmente torturada por militares franceses. Ela escreve um artigo publicado pelo Le Monde.
Assina, juntamente com Sartre, o Manifesto dos 121, documento que exige a independência da Argélia e a anistia de todos os soldados franceses que se negaram a pegar em armas contra o povo argelino.
Em agosto, Simone e Sartre visitam o Brasil, durante dois meses. O convite havia sido feito por Jorge Amado e alguns intelectuais brasileiros, interessados na revolução cubana e em mostrar ao casal o que era um país subdesenvolvido. Beauvoir e Sartre viajam pelo Brasil cobrindo doze mil quilômetros, tendo Jorge Amado como guia. No Rio de Janeiro, Simone faz uma conferência sobre a condição da mulher, enquanto Sartre fala sobre Cuba e a Argélia para salas repletas. Beauvoir e ele formam aos olhos de todos um bloco intelectual indivisível. Em Brasília, eles são recebidos pelo presidente Kubitschek. Em São Paulo fazem uma conferência para a imprensa e concedem uma entrevista para a TV. O casal é abordado na rua, sobretudo pelos jovens, e suas fotografias podem ser vistas em todos os lugares. Quando se preparavam para voltar, Lanzmann os avisa que em nenhuma hipótese eles deveriam pousar em Paris: Sartre estava ameaçado de morte, e Beauvoir também corria risco — tudo em virtude do Manifesto dos 121, e também pelo artigo sobre Djamila Boupacha. Os dois mudam o vôo para Barcelona, e voltam a Paris por estradas secundárias. No fim das contas, as acusações sobre os manifestantes, dentre os quais Sartre, são retiradas e ninguém é morto ou preso, mas muitos perdem seus empregos.
Em novembro, o 2º volume de sua autobiografia, A Força da Idade, é publicado. O livro é aclamado, e os críticos são unânimes em dizer que os escritos mais empolgantes de Beauvoir são sobre sua própria vida.
 
Sartre e Simone com Fidel Castro, em Cuba
Zélia Gattai, Sartre, Beauvoir e Jorge Amado com uma ialorixá
Beauvoir no Brasil, em 1960