Em março de 1941, Sartre volta a Paris. Formação de um grupo sob o lema Socialisme et Liberté (Socialismo e Liberdade) composto por escritores e intelectuais, dentre os quais Beauvoir e Sartre, com a tarefa de reunir e disseminar notícias, buscando apoio para a Resistência. A primeira reunião do grupo acontece no quarto de Simone, no Hôtel Mistral. A experiência da guerra provoca em Beauvoir e Sartre o sentido de responsabilidade e solidariedade — as pedras fundamentais da moral existencialista. O Socialisme et Liberté, entretanto, tem fraca atuação e logo é dissolvido. Beauvoir percebe que, para ela, a única forma possível de resistência é a literatura, e escrever passa a ser o maior objetivo de sua vida.
Em julho, morre Georges de Beauvoir, pai de Simone.
Em 1942 Gallimard aceita publicar o romance de Beauvoir, mas rejeita o título Légitime Défense (Legítima Defesa). Simone então propõe L'Invitée (A Convidada).
Após longas férias em 1942, que fazem o proprietário do Mistral acreditar que Beauvoir não mais voltará, ela precisa encontrar outro quarto de hotel, já que havia perdido sua vaga. Simone consegue um quarto no Hôtel Aubusson, na época, uma espécie de pardieiro sem nenhum conforto, onde ela viverá até julho de 1943. Beauvoir divide seu quarto com dois estudantes, Nathalie Sorokine e Bourla. Começa a escrever O Sangue dos Outros.

 
Hôtel Mistral
O filósofo Gabriel Marcel aplica o termo "Existencialismo" ao conjunto de idéias que a obra de Sartre e Beauvoir corporifica.
Em junho, em virtude de uma denúncia da mãe de Nathalie Sorokine, que acusa Simone de corrupção de menores, Beauvoir é excluída da universidade, perdendo seu salário e não podendo mais lecionar em lugar algum da França. Embora nada tenha sido provado (devido a uma estratégia muito bem ensaiada pelos membros da petit famille) e o caso encerrado, o reitor da Sorbonne acha inadmissível manter Beauvoir no corpo docente. Ela não era casada e vivia há anos em concubinato com Sartre; não tinha domicílio fixo, residia em hotéis, corrigia os trabalhos das alunas em cafés e dava aulas sobre os escritores homossexuais Proust e Gide; além disso, Simone demonstrava profundo desprezo por toda a disciplina moral e familiar. Beauvoir será readmitida depois da guerra, entretanto, decidirá não mais voltar a lecionar. Para ganhar a vida, ela consegue um trabalho mensal na Radio-Vichy.
A convite de Jean Grenier, Simone escreve Pyrrhus et Cinnéas, seu primeiro ensaio filosófico, que logo é aceito por Gallimard.
A Convidada é laçado em agosto, causando grande alvoroço por ser considerado um livro "baseado" na relação entre Beauvoir, Sartre e Olga, a quem o livro foi dedicado. Repentinamente, Simone torna-se uma celebridade.
Resolve mudar-se para um quarto mais confortável no Hôtel Louisiane, onde viverá até fins de 1946.
Termina O Sangue dos Outros e começa a escrever seu terceiro romance, Todos os Homens são Mortais.
Conhece Albert Camus, com que desenvolve laços de amizade, chegando a participar, juntamente com Sartre, de algumas reuniões clandestinas do Combat, jornal dirigido por Camus.
 
Simone de Beauvoir em 1943
L'Invitée (A Convidada)
Beauvoir participa, na casa de Michel Leiris, da leitura de uma peça de teatro escrita por Picasso: Le Désir Attrapé par la Queue. Conhece Salacrou, Bataille, Limbour, Lacan, Picasso e Braque.
Entre março e abril acontecem as fiestas, agitados encontros que se estendem pela madrugada da Paris ocupada. Para tanto, la petite famille se reveza com outros amigos na escolha dos locais de encontro: o apartamento ou quarto de hotel de um deles.
Entre abril e julho Simone escreve sua única peça Les Bouches inutiles (As Bocas Inúteis), que se mostra um grande fracasso quando encenada, saindo de cartaz depois de 50 apresentações.
Em agosto de 1944 Paris é libertada, mas a guerra continua.
Pyrrhus et Cinnéas é lançado pela Gallimard, sendo bem acolhido.
Beauvoir conhece Hemingway, e faz amizade com Nathalie Sarraute e Violette Leduc.
Em 1945, juntamente com Sartre, Simone torna-se uma das fundadoras da revista Les Temps Modernes, que permanecerá no centro da vida intelectual francesa pelos próximos 25 anos, tomando posições radicais e de esquerda nas frentes nacional e internacional.
Viagem a Portugal, de onde escreve vários artigos para o Combat.
O Sangue dos Outros, é publicado em setembro, tornando-se de imediato sucesso de crítica e de público.
 
Beauvoir no Café de Flore, em 1944
No fim de janeiro de 1946, Beauvoir viaja para a Tunísia — seu primeiro vôo — a convite da Aliança Francesa para dar uma série de palestras em Túnis e Argel.
Nesta época, Simone se sente "ameaçada" por Dolores Vanetti, a nova paixão de Sartre, que estava pela segunda vez nos Estados Unidos. Sartre tenta tranqüilizar Beauvoir, sem muito sucesso.
Simone começa a escrever Por uma Moral da Ambigüidade.
No verão de 1946, estimulada por Sartre, Simone começa a pensar em escrever sobre a condição feminina.
Em outubro conhece Arthur Koestler, amigo íntimo de Camus.
Todos os Homens são Mortais é lançado em novembro.
Em 1947, Por uma Moral da Ambigüidade é publicado na revista Les Temps Modernes e, posteriormente, pela Gallimard.
De 27 de janeiro a 20 de maio Beauvoir visita os Estados Unidos para uma tournée de conferências em universidades a convite de Philippe Soupault, escritor e jornalista francês. Em toda parte, a imprensa americana acentua que Simone vê o existencialismo como um otimismo e que o pratica dissipando as mentiras e os mitos. Numa passagem por Chicago, no fim de fevereiro, Beauvoir conhece Nelson Algren, por quem não tardará a desenvolver uma intensa paixão, que será correspondida. Começa a tomar notas de suas impressões sobre os Estados Unidos. Observa que as mulheres americanas são muito menos livres do que ela acreditava.
De volta a Paris, termina seu caso com Bost, e começa a trabalhar numa "reportagem" sobre a América (que viria a ser L'Amérieque au Jour le Jour). Paralelamente, toma notas para um ensaio sobre a condição feminina.
Em setembro, Simone faz sua segunda viagem aos Estados Unidos, passando duas semanas em Chicago com Algren. Nelson a pede em casamento, Beauvoir recusa.
 
Simone em Paris, em 1947
Nelson Algren
Em janeiro, Simone entrega a sua editora o manuscrito de L'Amérieque au Jour le Jour, mergulhando imediatamente em seu ensaio sobre as mulheres.
Em maio, fragmentos de O Segundo Sexo começam a ser publicados na revista Les Temps Modernes. Simone prossegue escrevendo a continuação do ensaio.
Vai novamente aos Estados Unidos, em maio, para se encontrar com Algren, com quem viajará por várias cidades americanas e também pela Guatemala e México. A viagem termina com um sério desentendimento por parte de Nelson, inconformado com o modo que Simone tem de encarar a relação entre os dois — e também por ela ter de antecipar sua volta à França, por causa de Sartre.
Publicação de L'Amérique au Jour le Jour.
Em julho, Beauvoir viaja para a Argélia, a trabalho, com Sartre.
Depois de ter morado por 18 anos em hotéis, em outubro, Simone resolve se mudar para um pequeno apartamento de quinto andar, na rue de la Bûcherie, uma antiga e estreita rua no Quartier Latin.
 
Beauvoir em 1948
Algren vai à Paris em maio, e fica hospedado no apartamento de Simone.
O Segundo Sexo é lançado em dois volumes (o primeiro em junho, o outro em novembro), causando grande escândalo. Beauvoir é severamente atacada, mesmo por alguns amigos, como Camus. Ao falar sobre o corpo da mulher e a sexualidade feminina, Simone quebra importantes tabus. O Vaticano põe o livro no index. A despeito de tudo, o livro é um sucesso absoluto de vendas: vinte e dois mil exemplares do 1º volume se esgotam em uma semana. O 2º volume é vendido com maior facilidade ainda.
Por causa da repercussão de O Segundo Sexo, a vida de Beauvoir se torna um inferno em Paris. Ela viaja durante dois meses com Algren pela Itália, Argélia, Marrocos e Tunísia. Na volta do Norte da África, passam alguns dias com Bost e Olga, na Provence. Em meados de setembro, Nelson volta aos Estados Unidos.
Simone começa a escrever Os Mandarins.
 
Simone de Beauvoir aos 40 anos, em 1949
Na primavera, Simone viaja para a África através do Saara, em companhia de Sartre.
Em agosto, Beauvoir vai a Chicago encontrar-se com Algren, que se mostra cada vez mais frio e indiferente. Nelson aluga um chalé em Miller, no lago Michigan, a fim de fugirem do calor de Chicago, mas os dois dormem em quartos separados. Bastante desapontada, Simone começa a tomar anfetaminas para conseguir trabalhar em seu livro (Os Mandarins). Quando se despedem, no fim de outubro, Algren anuncia que pretende se casar outra vez com sua ex-mulher. Beauvoir não quer acreditar que tudo havia acabado, mas Nelson deixa isso bem claro numa carta que ela não demoraria a receber em Paris. Simone mergulha na redação de seu romance, escrevendo de sete a oito horas por dia.
 
Beauvoir e Algren, em 1950