Jean-Paul
Sartre e Simone
de Beauvoir
viveram um
relacionamento
pouco convencional
que durou
50 anos. É
um dos casais
mais célebres
da História.
É impossível
falar de um
e não
mencionar
o outro. A
paixão
pela filosofia
e pela literatura
os uniu. Eles
desafiaram
a moral do
seu tempo,
vivendo muitos
amores, assumindo
compromissos
públicos
na contramão
da mentalidade
dominante
em sua época.
Foram reverenciados,
mas também
criticados
e odiados.
E escreveram
livros que
se transformaram
em obras-primas.
Na recém-lançada
biografia
Tête-à-Tête,
da editora
Objetiva,
a escritora
inglesa Hazel
Rowley narra
a agitada
vida privada
do casal existencialista,
desde os seus
primeiros
encontros,
em 1929, até
a morte de
ambos —
ele em 1980,
ela em 1986.
Foi na Austrália,
entre o fim
dos anos 1960
e início
dos anos 1970,
que Hazel
teve contato
com as idéias
de Simone
de Beauvoir.
Ela chegou
a entrevistar
a escritora
em 1976, em
Paris, quando
preparava
sua tese de
doutorado
sobre Beauvoir
e o existencialismo.
O encontro
foi intimidante,
segundo Hazel.
Afinal, ela
estava diante
de uma mulher
que admirava
por causa
de sua relação
de liberdade
e estímulo
intelectual
com Sartre.
E que muito
havia contribuído
para o desnudamento
da condição
feminina com
ensaios como
O Segundo
Sexo,
um de seus
mais famosos.
Mas, apesar
de brilhantes,
Sartre e Beauvoir
eram “estranhamente
inseguros”,
explica Hazel
Rowley, e
sempre se
sentiam agradecidos
às
pessoas que
os amavam.
A despeito
da feiúra
notória,
Sartre era
um grande
sedutor. E
não
foram poucas
as mulheres
que ele amou
e abandonou,
embora algumas
ele continuasse
sustentando
financeiramente,
numa atitude
tipicamente
machista.
Um machismo,
porém,
que ele jamais
manifestou
com Simone
de Beauvoir,
afirma Hazel
Rowley.
A notável
cumplicidade
do casal permitia
que dividissem
não
somente interesses
e preocupações,
mas também
amantes. E
essa liberdade
era exercida
mediante um
pacto incomum:
eles contavam
tudo um para
o outro. Bonita,
ícone
do feminismo,
Beauvoir era
igualmente
uma sedutora
e teve muitos
amantes homens,
mas também
se envolveu
com mulheres,
fato que ela
sempre negou
e que só
se tornou
público
após
a sua morte,
com a divulgação
de suas cartas.
Hazel Rowley
lecionou na
Universidade
de Iowa, Estados
Unidos, e
na Deakin
University,
Austrália,
e é
autora dos
livros Richard
Wright: The
Life and Times
e Christina
Stead: A Biography.
Para escrever
o duplo retrato
de Sartre
e Beauvoir,
ela realizou
entrevistas
originais
e pesquisou
centenas de
cartas inéditas.
“Jamais
gostei tanto
de ter escrito
um livro“,
disse nesta
entrevista
concedida
por e-mail
de Nova York,
onde mora.
Por
que a senhora
decidiu contar
a história
de Sartre
e Beauvoir
e focá-la
no relacionamento
do casal?
Estudei francês
no Sul da
Austrália
no final dos
anos 1960
e início
dos anos 1970.
Era o momento
em que o movimento
feminista
estava no
auge. Eu havia
lido as memórias
de Simone
de Beauvoir
e algumas
de suas entrevistas,
e fiquei muito
inspirada.
Ela parecia
uma mulher
realmente
independente,
e eu também
queria viver
daquela maneira.
Eu gostava
da idéia
da relação
livre, intelectualmente
estimulante
e mutuamente
encorajadora
que ela mantinha
com Jean-Paul
Sartre. Admirava
o interesse
deles pelas
pessoas e
pelo mundo,
sua capacidade
para trabalhar
bastante,
seu papel
como intelectuais
públicos
e seu engajamento
político.
Tempos depois,
já
na meia idade,
quis de repente
examinar de
novo aquela
relação,
e com mais
objetividade.
Era uma relação
realmente
admirável
ou não?
Beauvoir havia
idealizado
e representado
em suas memórias?
Eu queria
conversar
com os amantes
e amigos do
casal, para
ver o que
eles teriam
a dizer.
Eles
foram o casal
mais famoso
do Século
20?
Acho que sim.
Eles ficaram
famosos depois
da Segunda
Guerra Mundial,
em outubro
de 1945. Todos,
no mundo inteiro,
falavam dessa
nova loucura,
o “existencialismo”
(mesmo que
raramente
entendessem
o que isso
significava).
Sartre ficou
famoso, e
por algum
tempo Beauvoir
tornou-se
famosa por
causa dele.
Mas depois
ela adquiriu
fama por seus
próprios
méritos,
com a publicação
do seu livro
O Segundo
Sexo,
em 1949. Eles
eram figuras
muito controvertidas,
de esquerda,
e com sua
literatura
desafiaram
as convenções
sociais. Por
isso muitos
os odiavam.
O Segundo
Sexo
foi considerado
por muitos
um livro chocante,
o que levou
Beauvoir a
receber muitas
cartas de
ódio.
Ela e Sartre
se manifestaram
contra a Guerra
da Argélia
(e contra
o colonialismo
em geral).
Na França,
durante os
anos 1950
e início
dos anos 1960,
eles foram
amplamente
desprezados
por essa posição.
Como
ocorreu o
seu encontro
com Simone
de Beauvoir?
Como se sentiu
ao estar diante
da mulher
que a inspirou?
Muito intimidada!
Ela falava
com muita
rapidez —
todos dizem
isso a seu
respeito —,
e estávamos
conversando
em francês.
Mas para mim
foi também
um momento
muito importante.
Naquela época,
ela estava
com 68 anos,
e eu a achei
ainda muito
bonita. Naquele
dia, ela não
estava usando
um turbante.
Os cabelos
estavam presos,
o que dava
a ela um visual
melhor. E
ela estava
usando calça,
enquanto que
toda a vida
havia usado
vestidos,
até
aquele momento.
Minhas perguntas
foram respondidas
automaticamente,
e percebi
que havia
certas coisas
sobre as quais
ela não
queria falar.
Por exemplo,
quando perguntei
se ela e Sartre
tinham alguma
vez sentido
ciúmes
um do outro,
ela respondeu:
“Não,
nunca!”
Não
acreditei
totalmente
nela, nem
naquela ocasião
(quando escrevi
meu livro,
anos depois,
aquilo pareceu
uma bobagem.
Beauvoir algumas
vezes sentia
muito ciúme
das outras
namoradas
de Sartre).
Não
parece contraditório
que Beauvoir,
que lutou
por sua independência
e tentou construir
uma relação
de igualdade
com Sartre,
fosse tão
dependente
dele?
Não
estou bem
certa se ela
era tão
dependente
dele. Sob
alguns aspectos,
acredito que
ele precisou
mais dela
do que ela
dele. Ele
precisava
dela como
uma âncora,
para lhe dar
estabilidade.
Algumas vezes
Sartre esteve
à beira
da loucura.
Nos anos 1950,
ele estava
muito deprimido,
principalmente
por causa
da política.
Ele bebia
muito e tomava
fartas doses
de anfetaminas.
Acabou se
tornando completamente
dependente
de drogas.
Acho que ele
precisava
de Beauvoir,
que era uma
espécie
de figura
materna, uma
mulher que
o conhecia
muito bem
e podia perdoá-lo
infinitamente.
Em termos
de sua literatura,
era maravilhoso
que pudessem
discutir suas
idéias
entre si.
E que editassem
o trabalho
um do outro.
Relações
abertas não
eram incomuns.
O que fez
com que a
de Sartre
e Beauvoir
fosse tão
diferente
e famosa?
É verdade,
relações
abertas não
eram particularmente
incomuns naquele
tempo. Muitos
amigos do
casal levavam
o mesmo tipo
de vida. Hoje
é algo
incomum. O
mundo se tornou
mais conservador,
em parte por
causa da Aids.
Porém,
a maioria
das pessoas
que vivem
relacionamentos
abertos não
conta tudo
um para o
outro, e com
detalhes em
technicolor!
Mas Sartre
e Beauvoir
contavam tudo
um para o
outro. Isso
lhes dava
um sentimento
de cumplicidade.
Para escritores,
isso era maravilhoso.
Era quase
como se cada
um deles vivesse
duas vidas.
O que os tornou
também
famosos foram
as memórias
de Beauvoir.
Ela despertou
ainda mais
o interesse
sobre a vida
dos dois escrevendo
memórias
sem fim sobre
a vida do
casal.
Qual
é o
principal
legado de
Jean-Paul
Sartre e Simone
de Beauvoir
para os casais
atuais?
Acho que eles
eram um modelo
de generosidade.
Um nunca impedia
o outro. Eles
se encorajavam
no verdadeiro
sentido da
palavra: dando
coragem e
liberdade
um ao outro.
E, como sabemos,
não
é fácil
amar uma outra
pessoa com
a liberdade
deles. Simone
de Beauvoir
trabalhou
com afinco
para controlar
seu ciúme.
Isso era algo
admirável.
Eles acreditavam
que o ciúme
é uma
emoção
natural, mas
isso não
quer dizer
que o ciúme
seja bom para
uma relação.
Como existencialistas,
eles acreditavam
que temos
força
de vontade
para lutar
contra certas
emoções
ou tendências
negativas.
As pessoas
dizem: “Sou
preguiçoso
por natureza
”. Como
existencialistas,
Sartre e Beauvoir
diriam: “
Ser preguiçoso
é uma
escolha sua!”.
Certa
vez Beauvoir
comentou que
Sartre adorava
as mulheres
complicadas,
e acabava
levando-as
à loucura.
Beauvoir tinha
razão?
Beauvoir e
Sylvie Le
Bon [filha
adotiva de
Simone] estavam
brincando
com Sartre
quando disseram
isso. É
verdade que
Sartre gostava
de mulheres
jovens, vulneráveis
e neuróticas.
Acredito que
ele sofria
do complexo
de salvador.
Ele se imaginava
no comando
de um grande
cavalo branco,
um cavaleiro
numa armadura
brilhante
salvando pequenas
mulheres indefesas.
Esta fantasia
o fazia se
sentir poderoso,
necessário.
Mas no fundo
disso tudo
havia a insegurança
de Sartre.
Ele se sentia
tão
feio que sequer
gostava de
abordar as
pessoas na
rua para lhes
pedir informações.
Ele não
queria impor
seu corpo
às
pessoas. Suas
namoradas
eram com freqüência
bem loucas.
Elas já
seriam loucas
de início
ou ele as
tornava assim?
Eis uma boa
pergunta.
Acho que ele
gostava de
fazer com
que mulheres
jovens ficassem
dependentes
dele, e a
dependência
não
é boa
para ninguém.
Ele também
gostava de
provocar ciúmes
em suas amantes.
Acho que é
neste ponto
que Simone
de Beauvoir
é tão
admirável.
Em suas memórias
ela escreveu
que, por algum
tempo, ela
também
se tornou
dependente.
Ela escreve
com grande
inteligência
sobre a “mulher
apaixonada”
cuja vida
gira em torno
do seu homem.
Mas, depois
de alguns
anos nessa
condição,
Beauvoir tomou
as rédeas
da situação.
A longo prazo,
ela não
permitiu que
Sartre a enfraquecesse.
Ela preparou
as coisas
de modo que
Sartre a tornasse
forte. Muito
habilidoso
da parte dela,
acho.
Agora
sabemos que
Beauvoir mantinha
relações
com mulheres,
as quais ela
sempre negou.
Não
é uma
postura surpreendente,
dadas suas
idéias
filosóficas?
É verdade,
e eu não
sei porque
ela negou
seus relacionamentos
com mulheres.
Isso é
um pouco decepcionante.
Acho que,
em parte,
porque ela
via a si mesma
fundamentalmente
como heterossexual,
e era assim
que também
se viam as
mulheres com
quem ela teve
relações.
Próximo
do fim de
sua vida,
Beauvoir disse
que gostaria
de ter sido
mais honesta
sobre sua
sexualidade,
mas não
poderia porque
outras pessoas
estavam envolvidas,
e ela não
se sentia
livre para
contar tudo.
Tinha que
ser discreta.
A
senhora teve
acesso a cartas
inéditas
que lhe forneceram
muito material
para o seu
livro. Muitas,
porém,
ainda não
estão
disponíveis.
A senhora
já
imaginou que
tipo de Sartre
poderia estar
oculto nessas
cartas? É
possível
mudar o ponto
de vista sobre
ele com a
leitura desse
material inacessível?
Examinei cartas
de Sartre
para quase
todas as suas
namoradas,
e tenho certeza
de que não
restou nenhum
Sartre oculto
para ser descoberto.
Vi centenas
e centenas
de cartas
não
publicadas,
e acredito
que agora
conheço
bastante bem
o íntimo
de Sartre.
Imagine
que Beauvoir
e Sartre ainda
estivessem
vivos. Como
eles enfrentariam
alguns desafios
atuais como
o terrorismo,
a Aids ou
mesmo a revolução
da vida virtual?
Boa pergunta.
Também
me pergunto
sobre essas
coisas. Eles
nunca usaram
nem máquinas
de escrever,
imagine computadores!
Sempre escreveram
tudo à
mão,
e a vantagem
é que
podiam escrever
em qualquer
lugar : sob
uma árvore,
num café
barulhento,
qualquer lugar.
Eles escreveram
muitas cartas.
Será
que teriam
freqüentado
cibercafés
em suas férias?
Imagino que
sim. Mas eles
também
apreciavam
a sensualidade
das canetas,
da tinta,
do papel.
Cibercafés
não
são
lugares sensuais.
Isso teria
sido uma perda
para eles.
Sobre a Aids:
eles usariam
preservativos.
Uma amiga
minha negra
sul-africana,
de 30 anos
de idade,
leu meu livro
e ficou enormemente
chocada com
a vida sexual
deles. Ela
me disse:
“Fico
me perguntando
se eles usavam
preservativos!”
A resposta
é não,
não
usavam. Sobre
o terrorismo:
havia bastante
terrorismo
durante a
Guerra da
Argélia.
Sartre não
gostava do
terrorismo,
mas afirmava
que entendia
porque pessoas
que têm
uma causa
justa, e não
têm
grandes exércitos
ou equipamento
militar, têm
que recorrer
a esta estratégia
contra pessoas
que têm
essas coisas
e que estão
colonizando-as
ou atacando-as
injustamente.
Não
parece incrível
que eles fossem
tão
vulneráveis
em suas relações,
apesar da
força
de suas idéias
filosóficas?
Sim. Tanto
Beauvoir quanto
Sartre eram
estranhamente
inseguros
à maneira
deles. Beauvoir
muitas vezes
afirmou que
achava difícil
combinar amor
com independência.
Estar apaixonada
a tornava
vulnerável,
dependente
do outro,
atemorizada
pela perda
do amor daquela
pessoa. Tanto
ela quanto
Sartre se
sentiam agradecidos
às
pessoas que
os amavam.
A
senhora estudou
o existencialismo
durante muito
tempo. Como
o livro a
ajudou a compreendê-lo
mais? Qual
foi a importância
de tê-lo
escrito?
Escrevi minha
tese de doutorado
sobre o existencialismo
e Simone de
Beauvoir nos
anos 1970.
De fato, sou
interessada
por esse assunto
há
muito tempo.
É muito
bom ter retornado
a um tema
que foi uma
paixão
anos atrás.
Senti-me como
se estivesse
voltando para
casa. Jamais
gostei tanto
de ter escrito
um livro.
Mesmo estando
perfeitamente
consciente
de suas falhas,
eu ainda admiro
Sartre e Beauvoir.
Ainda consigo
aprender com
eles. Simone
de Beauvoir,
em particular,
me faz querer
viver com
mais coragem,
engajamento
e paixão.
Ela me faz
querer ler
mais livros,
viajar pelo
mundo, me
apaixonar
de novo, assumir
posições
políticas
mais firmes,
escrever mais,
trabalhar
mais, atuar
com mais intensidade
e olhar com
mais carinho
para a beleza
do mundo natural.
Ela amava
a natureza,
era uma mulher
muito sensível.
A
senhora esteve
recentemente
no Brasil
para pesquisar
sobre Cristina
Tavares, a
amante brasileira
de Sartre.
O que descobriu
sobre ela?
Eles não
foram amantes.
Cristina nunca
dormiu com
Sartre. Ele
a cortejou
vigorosamente.
Tenho certeza
que ele teria
gostado de
dormir com
ela. Mas ela
tinha 25 anos,
era uma boa
moça
católica.
Ele tinha
55 anos, e
estava longe
de ser bonito.
Ela admirava
Sartre e Beauvoir,
não
há
dúvidas
quanto a isso.
Logo depois
que deixou
o Brasil,
Sartre escreveu
uma carta
de onze páginas
para ela,
com uma longa
lista de livros
para ser lidos,
a maioria
sobre política.
Cristina os
encontrou
de novo, diversas
vezes, em
Portugal e
na França,
permanecendo
em contato
com eles.
Acho que Sartre
podia perceber
que ela era
uma jovem
especial,
mesmo com
apenas 25
anos. E ela
provou ser
muito especial,
tornou-se
uma importante
congressista,
uma pioneira
da questão
feminina no
Brasil. Ela
nunca se casou,
era muito
independente,
atlética,
tinha muitos
amigos, e
era fortemente
engajada na
política
progressista
brasileira.
Tragicamente,
morreu de
câncer
com apenas
50 anos.
Sartre
costumava
terminar um
relacionamento
quando deixava
de amar suas
namoradas,
embora continuasse
ajudando-as
financeiramente
durante muito
tempo. Esse
comportamento
não
era uma espécie
de machismo?
Sim, acho
que Sartre
estava cheio
de machismo.
Mas, por mais
estranho que
pareça,
não
com Simone
de Beauvoir!
Eis mais uma
razão
porque sua
relação
é única
e tão
interessante.
Se
a senhora
tivesse que
escolher um
livro de Simone
de Beauvoir,
qual seria?
Por quê?
Prefiro as
memórias,
mas, como
são
quatro volumes,
não
posso escolhê-las,
mesmo achando
o segundo
volume especialmente
interessante.
Imagino que
escolheria
seu livro
mais curto,
Uma Morte
Muito Suave,
no qual ela
fala da morte
da sua mãe.
O livro mostra
a suavidade
e sensibilidade
de Beauvoir,
algo que ela
geralmente
escondia.
A
dualidade
“amores
contingentes”
e “amores
necessários”,
idealizada
por Sartre,
explica a
relação
dele com Beauvoir
e deles com
os outros?
Não,
não
explica. Às
vezes fico
pensando que
essa foi a
forma que
ele “vendeu”
seu estilo
de vida a
Beauvoir,
para torná-lo
mais saboroso.
Outras mulheres
eram necessárias
para Sartre,
mas, conforme
se revelou
com o tempo,
ninguém
durou tanto
ou foi tão
íntimo
quanto a relação
de cinqüenta
anos de Sartre
com Beauvoir.
E ninguém
mais foi um
par intelectual
para eles,
da forma que
um foi para
o outro.
Sartre trouxe
glamour para
a filosofia,
conduzindo-a
a um nível
importante
no século
20. A filosofia
ainda é
necessária
nos dias de
hoje?
Muito menos.
Naquele tempo,
os melhores
e mais inteligentes
alunos da
França
estudavam
filosofia.
Nos dias atuais
a filosofia
não
tem o mesmo
status. Naquela
época,
os filósofos
acreditavam
sinceramente
que podiam
mudar o mundo.
Não
acredito que
os intelectuais
tenham mais
essa ilusão.
Sartre tornou
a filosofia
“sexy”
porque o existencialismo
não
era uma filosofia
de torre de
marfim. Era
uma filosofia
para ser aplicada
à vida
diária,
uma filosofia
que falava
de liberdade,
escolhas e
auto-ilusão.
Na época,
era uma filosofia
muito estimulante
para as pessoas.
São
coisas ainda
muito interessantes
para nos fazer
pensar.
Sartre
viveu muitas
vidas, e se
tornou mais
engajado nos
problemas
do seu tempo
à medida
que envelhecia.
Ele apoiou
o movimento
da independência
da Argélia,
e rompeu com
o Partido
|