Gerassi
—
Já
se passaram
25 anos desde
que O
Segundo Sexo
foi publicado.
Muitas pessoas,
principalmente
nos Estados
Unidos, o
consideram
o início
do movimento
feminista
contemporâneo.
Você
consideraria...
Beauvoir
— Acho
que não.
O movimento
feminista
atual, que
começou
há
uns cinco
ou seis anos,
não
conhecia realmente
o livro. Posteriormente,
com o crescimento
do movimento,
algumas das
líderes
tiraram parte
de sua fundamentação
teórica
do livro.
Mas não
foi O
Segundo Sexo
que desencadeou
o movimento.
A maior parte
das mulheres
que se tornaram
ativas no
movimento
era muito
jovem quando
o livro foi
lançado,
em 1949-50,
para serem
influenciadas
por ele. O
que me lisonjeia,
é claro,
foi elas o
terem descoberto
mais tarde.
Certamente
algumas mulheres
mais velhas
— Betty
Friedan, por
exemplo, que
dedicou The
Feminine Mystique
(A Mística
Feminina)
a mim —
tinham lido
O Segundo
Sexo
e talvez tenham
sido influenciadas
por ele de
algum modo.
Mas as outras,
de forma alguma.
Kate Millet,
por exemplo,
não
me cita nenhuma
vez em seu
trabalho.
Pode ser que
elas tenham
se tornado
feministas
pelas razões
que eu explico
em O Segundo
Sexo;
mas elas descobriram
essas razões
em suas experiências
de vida, não
em meu livro.
Gerassi
—
Você
disse que
sua própria
consciência
feminista
surgiu da
experiência
de escrever
O Segundo
Sexo.
Como você
vê o
desenvolvimento
do movimento
após
a publicação
do seu livro
em termos
de sua própria
trajetória?
Beauvoir
— Ao
escrever O
Segundo Sexo
tomei consciência,
pela primeira
vez, de que
eu mesma estava
levando uma
vida falsa,
ou melhor,
estava me
beneficiando
dessa sociedade
patriarcal
sem ao menos
perceber.
Acontece que
bem cedo em
minha vida
aceitei os
valores masculinos
e vivia de
acordo com
eles. É
claro, fui
muito bem-sucedida
e isso reforçou
em mim a crença
de que homens
e mulheres
poderiam ser
iguais se
as mulheres
quisessem
essa igualdade.
Em outros
termos, eu
era uma intelectual.
Tive a sorte
de pertencer
a uma família
burguesa,
que, além
de financiar
meus estudos
nas melhores
escolas, também
permitiu que
eu brincasse
com as idéias.
Por causa
disso, consegui
entrar no
mundo dos
homens sem
muita dificuldade.
Mostrei que
poderia discutir
filosofia,
arte, literatura,
etc., no “nível
dos homens”.
Eu guardava
tudo o que
fosse próprio
da condição
feminina para
mim. Fui,
então,
motivada por
meu sucesso
a continuar,
e, ao fazê-lo,
vi que poderia
me sustentar
financeiramente
assim como
qualquer intelectual
do sexo masculino,
e que eu era
levada a sério
assim como
qualquer um
de meus colegas
do sexo masculino.
Sendo quem
eu era, descobri
que poderia
viajar sozinha
se quisesse,
sentar nos
cafés
e escrever,
e ser respeitada
como qualquer
escritor do
sexo masculino,
e assim por
diante. Cada
etapa fortalecia
meu senso
de independência
e igualdade.
Portanto,
tornou-se
muito fácil
para mim esquecer
que uma secretária
nunca poderia
gozar destes
mesmos privilégios.
Ela não
poderia sentar-se
num café
e ler um livro
sem ser molestada.
Raramente
ela seria
convidada
para festas
por seus “dotes
intelectuais”.
Ela não
poderia pegar
um empréstimo
ou comprar
uma propriedade.
Eu sim. E
pior ainda,
eu costumava
desprezar
o tipo de
mulher que
se sentia
incapaz, financeiramente
ou espiritualmente,
de mostrar
sua independência
dos homens.
De fato, eu
pensava, sem
dizê-lo
a mim mesma,
“se
eu posso,
elas também
podem”.
Ao pesquisar
e escrever
O Segundo
Sexo foi
que percebi
que meus privilégios
resultavam
de eu ter
abdicado,
em alguns
aspectos cruciais
pelo menos,
à minha
condição
feminina.
Se colocarmos
o que estou
dizendo em
termos de
classe econômica,
você
entenderá
facilmente.
Eu tinha me
tornado uma
colaboracionista
de classe.
Bem, eu era
mais ou menos
o equivalente
em termos
da luta de
sexos. Através
de O Segundo
Sexo
tomei consciência
da necessidade
da luta. Compreendi
que a grande
maioria das
mulheres simplesmente
não
tinha as escolhas
que eu havia
tido; que
as mulheres
são,
de fato, definidas
e tratadas
como um segundo
sexo por uma
sociedade
patriarcal,
cuja estrutura
entraria em
colapso se
esses valores
fossem genuinamente
destruídos.
Mas assim
como para
os povos dominados
econômica
e politicamente,
o desenvolvimento
da revolução
é muito
difícil
e muito lento.
Primeiro,
as mulheres
têm
que tomar
consciência
da dominação.
Depois, elas
têm
de acreditar
na própria
capacidade
de mudar a
situação.
Aquelas que
se beneficiam
de sua “colaboração”
têm
que compreender
a natureza
de sua traição.
E, finalmente,
aquelas que
têm
mais a perder
por tomar
posição,
isto é,
mulheres que,
como eu, buscaram
uma situação
confortável
ou uma carreira
bem-sucedida,
têm
que estar
dispostas
a arriscar
sua situação
de segurança
— mesmo
que seja apenas
se expondo
ao ridículo
— para
alcançar
respeito próprio.
E elas têm
que entender
que suas irmãs
que são
mais exploradas
serão
as últimas
a se juntarem
a elas. Uma
esposa de
operário,
por exemplo,
é menos
livre para
se juntar
ao movimento.
Ela sabe que
seu marido
é mais
explorado
do que a maioria
das líderes
feministas
e que ele
depende de
seu papel
de mãe/dona-de-casa
para sobreviver.
De qualquer
forma, por
todas essas
razões,
as mulheres
não
se mobilizaram.
Ah sim, houve
alguns pequenos
movimentos
bem interessantes,
bem inteligentes,
que lutaram
por promoções
políticas,
pela participação
das mulheres
na política,
no governo.
Eu não
me refiro
a esses grupos.
Então
veio 1968
e tudo mudou.
Sei que alguns
eventos importantes
aconteceram
antes disso.
O livro de
Betty Friedan,
por exemplo,
foi publicado
antes de 1968.
Na verdade,
as mulheres
norte-americanas
já
estavam se
mobilizando
nessa época.
Elas, mais
do que ninguém,
e por razões
óbvias,
estavam cientes
das contradições
entre as novas
tecnologias
e o papel
conservador
de manter
as mulheres
na cozinha.
Com o desenvolvimento
da tecnologia
— tecnologia
como poder
do cérebro
e não
dos músculos
— a
lógica
masculina
de que as
mulheres são
o sexo frágil
e, por isso,
devem representar
um papel secundário
não
pôde
mais ser sustentada.
Como as inovações
tecnológicas
eram muito
difundidas
nos Estados
Unidos, as
mulheres norte-americanas
não
escaparam
às
contradições.
Foi, portanto,
natural que
o movimento
feminista
tivesse seu
maior ímpeto
no coração
do capitalismo
imperial,
ainda que
esse ímpeto
tenha sido
estritamente
econômico,
isto é,
a reivindicação
por salários
iguais, trabalhos
iguais. Mas
foi dentro
do movimento
anti-imperialista
que a verdadeira
consciência
feminista
se desenvolveu.
Tanto no movimento
contra a Guerra
do Vietnã
nos EUA quanto
logo depois
da rebelião
de 1968 na
França
e em outros
países
europeus,
as mulheres
começaram
a sentir seu
poder. Ao
compreender
que o capitalismo
leva necessariamente
à dominação
dos povos
pobres em
todo o mundo,
milhares de
mulheres começaram
a aderir à
luta de classes
— mesmo
quando não
aceitavam
o termo “luta
de classes”.
Elas se tornaram
ativistas.
Elas aderiram
às
marchas, às
demonstrações,
às
campanhas,
aos grupos
clandestinos,
à militância
de esquerda.
Elas lutavam,
tanto quanto
qualquer homem,
por um futuro
sem explorações,
sem alienações.
Mas o que
aconteceu?
Nos grupos
ou organizações
a que aderiram,
elas descobriram
que, assim
como na sociedade
que tentavam
combater,
também
eram tratadas
como o segundo
sexo. Aqui
na França,
e eu me arrisco
a dizer também
nos EUA, elas
perceberam
que os líderes
eram sempre
os homens.
As mulheres
se tornavam
datilógrafas
e serviam
café
nesses grupos
pseudo-revolucionários.
Bom, eu não
deveria dizer
pseudo. Muitos
dos participantes
desses movimentos
eram revolucionários
genuínos.
Mas tendo
sido treinados,
educados e
moldados em
uma sociedade
patriarcal,
estes revolucionários
trouxeram
esses valores
para o movimento.
Compreensivelmente,
estes homens
não
iriam abrir
mão
desses valores
voluntariamente,
assim como
a classe burguesa
não
abrirá
mão
de seu poder
voluntariamente.
Dessa forma,
assim como
cabe ao pobre
tomar o poder
do rico, também
cabe às
mulheres tirar
o poder dos
homens. E
isso não
quer dizer
que, por outro
lado, elas
devam dominar
os homens.
Significa
estabelecer
igualdade.
Assim como
o socialismo,
o verdadeiro
socialismo,
estabelece
igualdade
econômica
entre todos
os povos,
o movimento
feminista
aprendeu que
ele teria
que estabelecer
igualdade
entre os sexos
tirando o
poder da classe
que liderava
o movimento,
isto é,
dos homens.
Colocando
em outros
termos: uma
vez dentro
da luta de
classes, as
mulheres perceberam
que a luta
de classes
não
eliminava
a luta de
sexos. Foi
nesse ponto
que eu mesma
tomei consciência
do que acabei
de dizer.
Antes disso,
estava convencida
de que a igualdade
entre homens
e mulheres
só
era possível
com a destruição
do capitalismo
e, portanto
— e
é esse
“portanto”
que é
uma falácia
— nós
temos que
lutar primeiro
a luta de
classes. É
verdade que
a igualdade
entre homens
e mulheres
é impossível
no capitalismo.
Se todas as
mulheres trabalharem
tanto quanto
os homens,
o que acontecerá
com essas
instituições
das quais
o capitalismo
depende, instituições
como igreja,
casamento,
exército,
e os milhões
de fábricas,
lojas, etc.
que dependem
de trabalho
de meio-expediente
e mão-de-obra
barata? Mas
não
é verdade
que a revolução
socialista
estabelece
necessariamente
a igualdade
entre homens
e mulheres.
Dê uma
olhada na
União
Soviética
ou na Tchecoslováquia,
onde (mesmo
se nós
estivermos
dispostos
a chamar esses
países
de “socialistas”,
e eu não
estou) há
uma confusão
profunda entre
emancipação
do proletariado
e emancipação
da mulher.
De alguma
forma, o proletariado
sempre termina
sendo constituído
de homens.
Os valores
patriarcais
permaneceram
intactos,
tanto lá
quando aqui.
E isso —
essa consciência
entre as mulheres
de que a luta
de classes
não
engloba a
luta de sexos
— é
que é
novo. A maioria
das mulheres
sabe disso
agora. Essa
é a
maior conquista
do movimento
feminista.
É a
que vai alterar
a história
nos próximos
anos.
Gerassi
—
Mas essa consciência
está
limitada às
mulheres que
são
de esquerda,
isto é,
mulheres comprometidas
com a reestruturação
de toda a
sociedade.
Beauvoir
— Bom,
é claro,
já
que as outras
são
conservadoras,
o que significa
que elas querem
conservar
o que foi
ou o que é.
Mulheres de
direita não
querem revolução.
Elas são
mães,
esposas, devotadas
aos seus homens.
Ou, quando
são
agitadoras,
o que elas
querem é
um pedaço
maior do bolo.
Elas querem
salários
melhores,
eleger mulheres
para os parlamentos,
ver uma mulher
se tornar
presidente.
Fundamentalmente,
acreditam
na desigualdade,
só
que elas querem
estar no topo
e não
por baixo.
Mas elas se
acomodam bem
ao sistema
como ele é
ou com as
pequenas mudanças
para acomodar
suas reivindicações.
O capitalismo
certamente
pode se dar
ao luxo de
permitir às
mulheres a
servir o exército
ou entrar
para a força
policial.
O capitalismo
é certamente
inteligente
o suficiente
para deixar
mais mulheres
participarem
do governo.
O pseudo-socialismo
pode certamente
permitir que
uma mulher
se torne secretária-geral
de seu partido.
Isso são
apenas reformas
sociais, como
o seguro social
ou as férias
pagas. A institucionalização
das férias
pagas mudou
a desigualdade
do capitalismo?
O direito
das mulheres
trabalharem
em fábricas
com salários
iguais aos
dos homens
mudou os valores
masculinos
da sociedade
Tcheca? Mas
mudar todo
o sistema
de valor de
qualquer sociedade,
destruir o
conceito de
maternidade:
isso é
revolucionário.
Uma feminista,
quer ela se
autodenomine
esquerdista
ou não,
é uma
esquerdista
por definição.
Ela está
lutando por
uma igualdade
plena, pelo
direito de
ser tão
importante,
tão
relevante,
quanto qualquer
homem. Por
isso, incorporada
em sua revolta
pela igualdade
de gêneros
está
a reivindicação
pela igualdade
de classes.
Numa sociedade
em que o homem
pode ser a
mãe,
em que, vamos
dizer, para
colocar o
argumento
em termos
de valores
para que fique
claro, a assim
chamada “intuição
feminina”
é tão
importante
quanto o “conhecimento
masculino”
— para
usar a linguagem
corrente,
apesar de
absurda —
em que ser
gentil ou
delicado é
melhor do
que ser durão;
em outras
palavras,
em uma sociedade
na qual a
experiência
de cada pessoa
é equivalente
a qualquer
outra, você
já
estabeleceu
automaticamente
a igualdade,
o que significa
igualdade
econômica
e política
e muito mais.
Dessa forma,
a luta de
sexos inclui
a luta de
classes, mas
a luta de
classes não
inclui a luta
de sexos.
As feministas
são,
portanto,
esquerdistas
genuínas.
De fato, elas
estão
à esquerda
do que nós
chamamos tradicionalmente
de esquerda
política.
Gerassi
—
Mas, enquanto
isso, ao travar
a luta de
sexos apenas
dentro da
esquerda —
já
que, como
você
disse, a luta
de sexos é,
pelo menos
temporariamente,
irrelevante
dentro de
outros setores
políticos
— as
feministas
não
estariam enfraquecendo
a esquerda,
e, conseqüentemente,
fortalecendo
aqueles que
exploram tanto
as mulheres
como os pobres?
Beauvoir
— Não,
e, a longo
prazo, isso
só
vai fortalecer
a esquerda.
Pelo simples
fato de que,
ao serem confrontados
como esquerdistas,
isto é,
como opositores
à exploração,
homens esquerdistas
serão
forçados
a descer do
pedestal.
Mais e mais
grupos se
sentem compelidos
a botar em
xeque seus
líderes
do sexo masculino.
Isso é
progresso.
Aqui em nosso
jornal, Libération,
a maioria
se sentiu
obrigada a
deixar uma
mulher se
tornar sua
diretora.
Isso é
progresso.
Os homens
de esquerda
estão
começando
a tomar cuidado
com a linguagem,
estão...
Gerassi
—
Mas isso é
real? Quer
dizer, eu
aprendi, por
exemplo, a
nunca usar
a palavra
“gostosa”,
a prestar
atenção
nas mulheres
em qualquer
discussão
de grupo,
a lavar a
louça,
arrumar a
casa, fazer
as compras.
Mas será
que eu sou
menos sexista
em meus pensamentos?
Será
que eu rejeitei
os valores
masculinos?
Beauvoir
— Você
quer dizer,
no seu íntimo?
Para ser sincera,
quem se importa?
Pense um pouco.
Você
conhece um
sulista racista.
Você
sabe que ele
é racista
porque o conhece
desde que
nasceu. Mas
ele nunca
diz “crioulo”.
Ele escuta
a todas as
reclamações
dos homens
negros e dá
o melhor de
si para lidar
com elas.
Ele combate
outros racistas.
Ele insiste
em dar uma
educação
acima da média
para crianças
negras, para
compensar
os anos em
que faltou
escola para
essas crianças.
Ele dá
recomendações
para que homens
negros consigam
empréstimos
bancários.
Ele dá
apoio a candidatos
negros em
seu distrito
através
de ajuda financeira
e com seu
voto. Você
acha que os
negros se
importam que
ele seja tão
racista quanto
antes em seu
íntimo?
Essencialmente,
exploração
é hábito.
Se você
consegue controlar
seus hábitos,
fazer com
que seja “natural”
ter hábitos
contrários,
já
é um
grande passo.
Se você
lava a louça,
arruma a casa,
e toma a atitude
de que não
se sente menos
“homem”
por fazê-lo,
você
estará
ajudando a
estabelecer
novos hábitos.
Duas gerações
sentindo que
têm
que parecer
não-racistas
o tempo inteiro
e a terceira
geração
não
será
racista de
fato. Então
finja ser
não-sexista,
e continue
fingindo.
Pense nisso
como um jogo.
Em seus pensamentos
íntimos,
pode continuar
pensando que
você
é superior
às
mulheres.
Enquanto você
representar
de forma convincente
– lavando
a louça,
fazendo as
compras, arrumando
a casa, cuidando
das crianças
– você
estará
abrindo precedentes,
especialmente
para homens
como você,
que tem certa
pose de “machão”.
A questão
é:
eu não
acredito nisso.
Eu não
acredito que
você
realmente
faça
o que diz.
Uma coisa
é lavar
a louça,
trocar fraldas
dia e noite
é outra.
Gerassi
—
Bem, eu não
tenho filhos...
Beauvoir
— Por
que não?
Porque você
escolheu não
tê-los.
Acha que as
mães
que você
conhece escolheram
ter filhos?
Ou elas foram
intimidadas
a tê-los?
Ou, em termos
mais sutis,
elas foram
criadas para
pensar que
é natural
e normal e
próprio
da mulher
ter filhos
e, por isso,
escolheram
tê-los?
Esses são
os valores
que têm
que mudar.
Gerassi
—
Certo. E é
por isso,
e eu compreendo,
que muitas
feministas
insistem em
ser separatistas.
Mas em termos
de revolução,
tanto a delas
quanto a minha,
será
que podemos
ganhar se
nos separarmos
em dois grupos
totalmente
diferentes?
Será
que o movimento
feminista
conseguirá
alcançar
seu objetivo
excluindo
os homens
de sua luta?
Até
hoje, a parte
dominante
do movimento
das mulheres,
aqui na França,
e isso também
é verdade
para os Estados
Unidos, é
separatista.
Beauvoir
— Só
um minuto.
Nós
temos que
investigar
o porquê
de elas serem
separatistas.
Não
posso falar
pelos Estados
Unidos, mas
aqui na França
há
muitos grupos,
grupos de
conscientização,
dos quais
os homens
são
excluídos
porque as
militantes
acham muito
importante
redescobrir
sua identidade